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Setembro Amarelo.


O principal objetivo do Setembro Amarelo é quebrar o tabu que existe envolvendo o suicídio. Doenças graves, como o câncer e a AIDS, já passaram por períodos nebulosos e foram combatidas através do conhecimento. Mas, para isso, foi necessário um esforço coletivo, liderado por pessoas corajosas e organizações engajadas. 

Quebrar tabus não é fácil, mas é preciso esclarecer, conscientizar e estimular a prevenção para reverter situações críticas como as que nós estamos vivendo. O problema de saúde pública que estamos encarando agora é causado, principalmente, pelo desconhecimento das pessoas sobre as causas do suicídio e os tratamentos para evitar que ele aconteça.

Muitas vezes, familiares e amigos não reconhecem os sinais de que alguém querido vai tirar a própria vida. Aliás, muitas vezes, a própria vítima não entende que precisa de ajuda e acaba se afundando cada vez mais em uma solidão desesperadora. Por isso, é preciso falar sobre suicídio e discutir a depressão abertamente.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 9 em cada 10 casos de suicídio poderiam ser prevenidos se a pessoa buscar ajuda e se tiver a atenção de quem está à sua volta. Mas como fazer isso se a vítima não entende o que está sentindo e se os seus familiares e amigos não reconhecem os sinais?




Existem alguns sinais de alerta que podem salvar a vida de quem você ama. Veja quais são os principais:
  • Reconheça os padrões de pensamento suicidas. Normalmente, quem pretende tirar a própria vida apresenta os seguintes padrões: elas remoem pensamentos obsessivamente e não conseguem parar, se sentem extremamente sem esperança, vêem a vida como algo sem significado e, normalmente, descrevem uma sensação de nevoa nos pensamentos que dificulta a concentração;
  • Reconheça as emoções suicidas. Elas podem se manifestar em alterações extremas de humor, excesso de raiva ou sentimento de vingança, ansiedade, irritabilidade e sentimentos intensos de culpa ou vergonha. Pessoas com tendência suicida normalmente se sentem um fardo para os outros e acreditam que estão sozinhas mesmo quando estão perto de outras pessoas; 
  • Reconheça avisos verbais. Quando alguém começar a falar muito sobre morte, preste atenção. Algumas frases são freqüentes: “a vida não vale a pena”, “não vou mais ficar triste porque não vou estar mais aqui”, “você vai sentir minha falta quando eu for” ou “ninguém vai sentir minha falta se eu morrer”, “não agüento a dor, não consigo lidar com isso”, “estou tão sozinho que queria morrer”, “não se preocupe, eu não vou estar por aqui para ver o que vai acontecer”, “não vou te atrapalhar mais”, ou “queria não ter nascido”; 
  • Fique de olho na melhora súbita. Muitas vezes, o maior potencial para o suicídio não é o fundo do poço, mas a súbita sensação de melhora. Isso pode indicar que a pessoa aceitou a decisão de encerrar a própria vida e está aliviada por ter um plano. Então, se uma pessoa depressiva e com grandes tendências suicidas melhorar de uma vez, é melhor tomar providencias imediatas; 
  • Reconheça mudanças de comportamento. Quando você sentir que a pessoa está querendo fechar pontas soltas, doar seus pertences, fazer arranjos financeiros ou visitar vários entes queridos de uma só vez, é hora de intervir;
  • Reconheça comportamentos irresponsáveis e perigosos como o uso excessivo de drogas (legais ou ilegais), direção imprudente e sexo desprotegido com vários parceiros; 
  • Procure por ferramentas possíveis para o suicídio. Por exemplo: se a pessoa comprou uma arma ou remédios sem motivo aparente, é hora de pedir ajuda; 
  • Perceba mudanças extremas na rotina, repare se a pessoa parou de freqüentar, sem motivo aparente, eventos e lugares que sempre gostou de visitar. Quando alguém para de praticar atividades que, até então, lhe davam prazer, é um grande sinal de alerta; 
  • Preste atenção na energia: pessoas depressivas ou suicidas normalmente têm pouca energia para tarefas básicas, têm dificuldade de tomar decisões e, por exemplo, falta de vontade de se relacionar sexualmente;
  • Não ignore fatores de risco: morte de um ente querido, perda de emprego, bullying e separações traumáticas podem afetar e intensificar desejos suicidas. Um histórico de abuso físico ou sexual também pode servir de gatilho, assim como tentativas prévias de suicídio.

Como conversar. 


Conversar com alguém que tenha tendências suicidas pode parecer complicado mas, para saber o que dizer e como agir, basta ter paciência e escolher o tom certo.

Quando alguém estiver exibindo sinais de risco, é fundamental falar de forma carinhosa e sem julgamentos. Escute com paciência, não julgue, não diga que a pessoa está fazendo drama ou exagerando, e nem fale que ela precisa ser mais forte. 

Não diga que ela deve se sentir com sorte pela vida que tem, e nem a faça se sentir envergonhada ou menor pelos seus pensamentos suicidas. Ao dizer esse tipo de coisa, você vai piorar a situação e fazê-la se sentir ainda mais determinada em tirar a própria vida. 

Ninguém mergulha nesse sentimento horrível por escolha própria, ninguém quer se sentir assim e ninguém deseja continuar nesse estado. Por isso, você precisa compreender e conversar sobre isso! 

Uma recomendação é ser direto e perguntar se a pessoa planeja algo ou pretende tirar a própria vida. Você vai sentir na resposta os sinais de alerta e, então, deve ligar para a emergência se souber que a pessoa já elaborou planos e precisa de ajuda imediata. 

Mas não espere a pessoa dizer que quer se matar para buscar ajuda. Muita vezes, a pessoa com tendências suicidas não conta seus planos ou compartilha seus pensamentos. Por isso, se algum conhecido está exibindo os sinais de alerta acima, procure ajuda.

Buscando ajuda profissional. 

Quem pensa em cometer suicídio deve ligar para o Centro de Valorização da Vida através no número 141, mas quem convive com essa pessoa também pode entrar em contato com essa linha de assistência. Os atendentes podem ajudar e, inclusive, te instruir e te conectar com psiquiatras e psicólogos.

Não acredite em sinais repentinos de melhora, quem sofre com tendências suicidas deve iniciar um tratamento urgente e adequado. 

Enquanto isso, você pode pedir ajuda para se livrar de possíveis ferramentas suicidas, como armas (brancas ou de fogo), drogas, medicamentos e produtos que possam ser ingeridos com o objetivo de causar a própria morte. Cerca de 25% dos suicídios acontecem através do enforcamento, então, enquanto a pessoa estiver sob tratamento, é importante esconder itens como gravatas, cintos, cordas e lençóis. Na fase mais crítica, a pessoa provavelmente vai ficar internada mas, se estiver em casa, é importante que você demonstre seu apoio e diga que está fazendo isso para ajudá-la.

Depois que ela começar o tratamento, não saia do lado dela. Você precisa saber se ela está tomando os remédios de acordo com a prescrição, você precisa garantir que ela está freqüentando as sessões de terapia e, além disso, você precisa ajudá-la a não ter uma recaída. Muitas vezes, a recaída vem depois do uso de bebidas alcoólicas, então, não deixe que ela beba enquanto está se tratando. 

Sente com ela e a ajude a elaborar um plano de segurança para aqueles momentos de desespero. Assim, quando ela pensar em suicídio outra vez, vai saber como agir para evitar o pior.

É importante saber que, apesar de todas essas bandeiras vermelhas, 25% das vítimas de suicídio não demonstra nenhum sinal significativo. 

Então, é importante ficar de olho nos pequenos detalhes que podem surgir principalmente depois de algum trauma. 

Participe da campanha Setembro Amarelo pelo resto da sua vida e ajude a salvar outras.

Visite o site oficial da campanha e tenha mais informações:

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Fonte e agradecimentos: Manual do Homem Moderno. 

O homem de cabeça de papelão.


João do Rio


No País que chamavam de Sol, apesar de chover, às vezes, semanas inteiras, vivia um homem de nome Antenor. Não era príncipe. Nem deputado. Nem rico. Nem jornalista. Absolutamente sem importância social.

O País do Sol, como em geral todos os países lendários, era o mais comum, o menos surpreendente em idéias e práticas. Os habitantes afluíam todos para a capital, composta de praças, ruas, jardins e avenidas, e tomavam todos os lugares e todas as possibilidades da vida dos que, por desventura, eram da capital. De modo que estes eram mendigos e parasitas, únicos meios de vida sem concorrência, isso mesmo com muitas restrições quanto ao parasitismo. Os prédios da capital, no centro elevavam aos ares alguns andares e a fortuna dos proprietários, nos subúrbios não passavam de um andar sem que por isso não enriquecessem os proprietários também. Havia milhares de automóveis à disparada pelas artérias matando gente para matar o tempo, cabarets fatigados, jornais, tramways, partidos nacionalistas, ausência de conservadores, a Bolsa, o Governo, a Moda, e um aborrecimento integral. Enfim tudo quanto a cidade de fantasia pode almejar para ser igual a uma grande cidade com pretensões da América. E o povo que a habitava julgava-se, além de inteligente, possuidor de imenso bom senso. Bom senso! Se não fosse a capital do País do Sol, a cidade seria a capital do Bom Senso!

Precisamente por isso, Antenor, apesar de não ter importância alguma, era exceção mal vista. Esse rapaz, filho de boa família (tão boa que até tinha sentimentos), agira sempre em desacordo com a norma dos seus concidadãos.

Desde menino, a sua respeitável progenitora descobriu-lhe um defeito horrível: Antenor só dizia a verdade. Não a sua verdade, a verdade útil, mas a verdade verdadeira. Alarmada, a digna senhora pensou em tomar providências. Foi-lhe impossível. Antenor era diverso no modo de comer, na maneira de vestir, no jeito de andar, na expressão com que se dirigia aos outros. Enquanto usara calções, os amigos da família consideravam-no umenfant terrible, porque no País do Sol todos falavam francês com convicção, mesmo falando mal. Rapaz, entretanto, Antenor tornou-se alarmante. Entre outras coisas, Antenor pensava livremente por conta própria. Assim, a família via chegar Antenor como a própria revolução; os mestres indignavam-se porque ele aprendia ao contrario do que ensinavam; os amigos odiavam-no; os transeuntes, vendo-o passar, sorriam.

Uma só coisa descobriu a mãe de Antenor para não ser forçada a mandá-lo embora: Antenor nada do que fazia, fazia por mal. Ao contrário. Era escandalosamente, incompreensivelmente bom. Aliás, só para ela, para os olhos maternos. Porque quando Antenor resolveu arranjar trabalho para os mendigos e corria a bengala os parasitas na rua, ficou provado que Antenor era apenas doido furioso. Não só para as vítimas da sua bondade como para a esclarecida inteligência dos delegados de polícia a quem teve de explicar a sua caridade.

Com o fim de convencer Antenor de que devia seguir os tramitas legais de um jovem solar, isto é: ser bacharel e depois empregado público nacionalista, deixando à atividade da canalha estrangeira o resto, os interesses congregados da família em nome dos princípios organizaram vários meetings como aqueles que se fazem na inexistente democracia americana para provar que a chave abre portas e a faca serve para cortar o que é nosso para nós e o que é dos outros também para nós. Antenor, diante da evidência, negou-se.

— Ouça! bradava o tio. Bacharel é o princípio de tudo. Não estude. Pouco importa! Mas seja bacharel! Bacharel você tem tudo nas mãos. Ao lado de um político-chefe, sabendo lisonjear, é a ascensão: deputado, ministro.

— Mas não quero ser nada disso.

— Então quer ser vagabundo?

— Quero trabalhar.

— Vem dar na mesma coisa. Vagabundo é um sujeito a quem faltam três coisas: dinheiro, prestígio e posição. Desde que você não as tem, mesmo trabalhando — é vagabundo.

— Eu não acho.

— É pior. É um tipo sem bom senso. É bolchevique. Depois, trabalhar para os outros é uma ilusão. Você está inteiramente doido.

Antenor foi trabalhar, entretanto. E teve uma grande dificuldade para trabalhar. Pode-se dizer que a originalidade da sua vida era trabalhar para trabalhar. Acedendo ao pedido da respeitável senhora que era mãe de Antenor, Antenor passeou a sua má cabeça por várias casas de comércio, várias empresas industriais. Ao cabo de um ano, dois meses, estava na rua. Por que mandavam embora Antenor? Ele não tinha exigências, era honesto como a água, trabalhador, sincero, verdadeiro, cheio de idéias. Até alegre — qualidade raríssima no país onde o sol, a cerveja e a inveja faziam batalhões de biliosos tristes. Mas companheiros e patrões prevenidos, se a princípio declinavam hostilidades, dentro em pouco não o aturavam. Quando um companheiro não atura o outro, intriga-o. Quando um patrão não atura o empregado, despede-o. É a norma do País do Sol. Com Antenor depois de despedido, companheiros e patrões ainda por cima tomavam-lhe birra. Por que? É tão difícil saber a verdadeira razão por que um homem não suporta outro homem!

Um dos seus ex-companheiros explicou certa vez:

— É doido. Tem a mania de fazer mais que os outros. Estraga a norma do serviço e acaba não sendo tolerado. Mau companheiro. E depois com ares...

O patrão do último estabelecimento de que saíra o rapaz respondeu à mãe de Antenor:

— A perigosa mania de seu filho é por em prática idéias que julga próprias.

— Prejudicou-lhe, Sr. Praxedes?

Não. Mas podia prejudicar. Sempre altera o bom senso. Depois, mesmo que seu filho fosse águia, quem manda na minha casa sou eu.

No País do Sol o comércio ë uma maçonaria. Antenor, com fama de perigoso, insuportável, desobediente, não pôde em breve obter emprego algum. Os patrões que mais tinham lucrado com as suas idéias eram os que mais falavam. Os companheiros que mais o haviam aproveitado tinham-lhe raiva. E se Antenor sentia a triste experiência do erro econômico no trabalho sem a norma, a praxe, no convívio social compreendia o desastre da verdade. Não o toleravam. Era-lhe impossível ter amigos, por muito tempo, porque esses só o eram enquanto. não o tinham explorado.

Antenor ria. Antenor tinha saúde. Todas aquelas desditas eram para ele brincadeira. Estava convencido de estar com a razão, de vencer. Mas, a razão sua, sem interesse chocava-se à razão dos outros ou com interesses ou presa à sugestão dos alheios. Ele via os erros, as hipocrisias, as vaidades, e dizia o que via. Ele ia fazer o bem, mas mostrava o que ia fazer. Como tolerar tal miserável? Antenor tentou tudo, juvenilmente, na cidade. A digníssima sua progenitora desculpava-o ainda.

— É doido, mas bom.

Os parentes, porém, não o cumprimentavam mais. Antenor exercera o comércio, a indústria, o professorado, o proletariado. Ensinara geografia num colégio, de onde foi expulso pelo diretor; estivera numa fábrica de tecidos, forçado a retirar-se pelos operários e pelos patrões; oscilara entre revisor de jornal e condutor de bonde. Em todas as profissões vira os círculos estreitos das classes, a defesa hostil dos outros homens, o ódio com que o repeliam, porque ele pensava, sentia, dizia outra coisa diversa.

— Mas, Deus, eu sou honesto, bom, inteligente, incapaz de fazer mal...

— É da tua má cabeça, meu filho.

— Qual?

— A tua cabeça não regula.

— Quem sabe?

Antenor começava a pensar na sua má cabeça, quando o seu coração apaixonou-se. Era uma rapariga chamada Maria Antônia, filha da nova lavadeira de sua mãe. Antenor achava perfeitamente justo casar com a Maria Antônia. Todos viram nisso mais uma prova do desarranjo cerebral de Antenor. Apenas, com pasmo geral, a resposta de Maria Antônia foi condicional.

— Só caso se o senhor tomar juízo.

— Mas que chama você juízo?

— Ser como os mais.

— Então você gosta de mim?

— E por isso é que só caso depois.

Como tomar juízo? Como regular a cabeça? O amor leva aos maiores desatinos. Antenor pensava em arranjar a má cabeça, estava convencido.

Nessas disposições, Antenor caminhava por uma rua no centro da cidade, quando os seus olhos descobriram a tabuleta de uma "relojoaria e outros maquinismos delicados de precisão". Achou graça e entrou. Um cavalheiro grave veio servi-lo.

— Traz algum relógio?

— Trago a minha cabeça.

— Ah! Desarranjada?

— Dizem-no, pelo menos.

— Em todo o caso, há tempo?

— Desde que nasci.

— Talvez imprevisão na montagem das peças. Não lhe posso dizer nada sem observação de trinta dias e a desmontagem geral. As cabeças como os relógios para regular bem...

Antenor atalhou:

— E o senhor fica com a minha cabeça?

— Se a deixar.

— Pois aqui a tem. Conserte-a. O diabo é que eu não posso andar sem cabeça...

— Claro. Mas, enquanto a arranjo, empresto-lhe uma de papelão.

— Regula?

— É de papelão! explicou o honesto negociante. Antenor recebeu o número de sua cabeça, enfiou a de papelão, e saiu para a rua.

Dois meses depois, Antenor tinha uma porção de amigos, jogava o pôquer com o Ministro da Agricultura, ganhava uma pequena fortuna vendendo feijão bichado para os exércitos aliados. A respeitável mãe de Antenor via-o mentir, fazer mal, trapacear e ostentar tudo o que não era. Os parentes, porem, estimavam-no, e os companheiros tinham garbo em recordar o tempo em que Antenor era maluco.

Antenor não pensava. Antenor agia como os outros. Queria ganhar. Explorava, adulava, falsificava. Maria Antônia tremia de contentamento vendo Antenor com juízo. Mas Antenor, logicamente, desprezou-a propondo um concubinato que o não desmoralizasse a ele. Outras Marias ricas, de posição, eram de opinião da primeira Maria. Ele só tinha de escolher. No centro operário, a sua fama crescia, querido dos patrões burgueses e dos operários irmãos dos spartakistas da Alemanha. Foi eleito deputado por todos, e, especialmente, pelo presidente da República — a quem atacou logo, pois para a futura eleição o presidente seria outro. A sua ascensão só podia ser comparada à dos balões. Antenor esquecia o passado, amava a sua terra. Era o modelo da felicidade. Regulava admiravelmente.

Passaram-se assim anos. Todos os chefes políticos do País do Sol estavam na dificuldade de concordar no nome do novo senador, que fosse o expoente da norma, do bom senso. O nome de Antenor era cotado. Então Antenor passeava de automóvel pelas ruas centrais, para tomar pulso à opinião, quando os seus olhos deram na tabuleta do relojoeiro e lhe veio a memória.

— Bolas! E eu que esqueci! A minha cabeça está ali há tempo... Que acharia o relojoeiro? É capaz de tê-la vendido para o interior. Não posso ficar toda vida com uma cabeça de papelão!

Saltou. Entrou na casa do negociante. Era o mesmo que o servira.

— Há tempos deixei aqui uma cabeça.

— Não precisa dizer mais. Espero-o ansioso e admirado da sua ausência, desde que ia desmontar a sua cabeça.

— Ah! fez Antenor.

— Tem-se dado bem com a de papelão? — Assim...

— As cabeças de papelão não são más de todo. Fabricações por séries. Vendem-se muito.

— Mas a minha cabeça?

— Vou buscá-la.

Foi ao interior e trouxe um embrulho com respeitoso cuidado.

— Consertou-a?

— Não.

— Então, desarranjo grande?

O homem recuou.

— Senhor, na minha longa vida profissional jamais encontrei um aparelho igual, como perfeição, como acabamento, como precisão. Nenhuma cabeça regulará no mundo melhor do que a sua. É a placa sensível do tempo, das idéias, é o equilíbrio de todas as vibrações. O senhor não tem uma cabeça qualquer. Tem uma cabeça de exposição, uma cabeça de gênio, hors-concours.

Antenor ia entregar a cabeça de papelão. Mas conteve-se.

— Faça o obséquio de embrulhá-la.

— Não a coloca?

— Não.

— V.EX. faz bem. Quem possui uma cabeça assim não a usa todos os dias. Fatalmente dá na vista.

Mas Antenor era prudente, respeitador da harmonia social.

— Diga-me cá. Mesmo parada em casa, sem corda, numa redoma, talvez prejudique.

— Qual! V.EX. terá a primeira cabeça.

Antenor ficou seco.

— Pode ser que V., profissionalmente, tenha razão. Mas, para mim, a verdade é a dos outros, que sempre a julgaram desarranjada e não regulando bem. Cabeças e relógios querem-se conforme o clima e a moral de cada terra. Fique V. com ela. Eu continuo com a de papelão.

E, em vez de viver no País do Sol um rapaz chamado Antenor, que não conseguia ser nada tendo a cabeça mais admirável — um dos elementos mais ilustres do País do Sol foi Antenor, que conseguiu tudo com uma cabeça de papelão.

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João do Rio foi o pseudônimo mais constante de João Paulo Emílio Coelho Barreto, escritor e jornalista carioca, que também usou como disfarce os nomes de Godofredo de Alencar, José Antônio José, Joe, Claude, etc., nada ou quase nada escrevendo e publicando sob o seu próprio nome. Foi redator de jornais importantes, como "O País" e "Gazeta de Notícias", fundando depois um diário que dirigiu até o dia de sua morte, "A Pátria". Contista romancista, autor teatral (condição em que exerceu a presidência da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, tradutor de Oscar Wilde, foi membro da Academia Brasileira de Letras, eleito na vaga de Guimarães Passos. Entre outros livros deixou "Dentro da Noite", "A Mulher e os Espelhos", "Crônicas e Frases de Godofredo de Alencar", "A Alma Encantadora das Ruas", "Vida Vertiginosa", "Os Dias Passam", "As religiões no Rio" e "Rosário da Ilusão", que contém como primeiro conto a admirável sátira "O homem da cabeça de papelão". Nascido no Rio de Janeiro a 05 de agosto de 1881, faleceu repentinamente na mesma cidade a 23 de junho de 1921.

O texto acima foi extraído do livro "Antologia de Humorismo e Sátira", organizada por R. Magalhães Júnior, Editora Civilização Brasileira — Rio de Janeiro, 1957, pág. 196.

Crise econômica faz crescer procura por atendimento psicológico no país.


A crise econômica também tem mexido com a cabeça das pessoas. Em Salvador, por exemplo, a falta de dinheiro e de trabalho tem feito muita gente procurar a ajuda de psicólogos para ajudar a superar as dificuldades.

A crise chegou como um furacão na vida dessa professora de educação física de Salvador, separada e mãe de dois filhos. Para sair do fundo do poço, ela buscou ajuda nesta clínica de psicologia que, uma vez por semana, atende de graça. A procura pelo atendimento gratuito aumentou muito nos últimos meses, e não há mais vagas. "Eu trabalhava em duas escolas, agora trabalho em uma só, tinha alunos particular, caiu também muito, caiu 60% da minha renda e eu tive que voltar para a casa dos meus pais".

“Essa insegurança foi fragilizando, fragilizando e aí hoje nós temos um resultado triste, um resultado dramático de uma comunidade de pessoas sofridas, infelizes, tentando encontrar uma resposta", explica o psicanalista Alan Cordeiro.

Muitas dessas pessoas que não podem pagar caro por um atendimento particular têm buscado ajuda também nas universidades que oferecem cursos de psicologia. Em algumas universidades, a fila de espera só aumentou do segundo semestre do ano passado para cá. O atendimento é feito por alunos, com a orientação de professores, e é de graça ou por um por um preço que o paciente possa pagar.

Hoje, o número de pacientes na universidade é 20% maior que no mesmo período do ano passado. São desempregados, microempresários que quebraram, gente simples que nunca tinha sentado na frente de um psicólogo.

"A gente não pode cair no discurso de que está tudo perdido, de que nada pode ser melhorado. Então, são sempre intervenções para que eles reconheçam: olha, tem essa possibilidade aqui, aqui tem outra. A crise não é só negativa. Ela cria potencialidades, cria possibilidades", explica o professor Adailton de Souza.

As sessões de psicoterapia estão ajudando o rapaz de 26 anos que desenvolveu síndrome do pânico depois que a clientela do salão dele, num bairro popular, caiu abaixo da metade. "Você não consegue relaxar, não consegue dialogar, não consegue interagir, você fica como se estivesse num mundo seu, preso".

Fonte: G1. 

Análise do filme: Precisamos falar sobre o Kevin.

Foto retrata Kevin em idades diferentes no filme. 
Eva e Franklin são os pais de Kevin (filho mais velho) e Célia (filha mais nova). A relação familiar entre eles é desequilibrada, pois enquanto Franklin tem uma relação mais equilibrada com os seus filhos, Eva tem problemas com Kevin que começaram desde a gravidez indesejada e teve continuidade até a adolescência. Cenas que retratam essa perturbação são mostradas no filme, como quando ainda bebê, enquanto Kevin chorava, a mãe parecia impaciente e não sabia como lidar com a situação. O pai diferente da mãe, era mais acolhedor, e tinha mais disposição em estar com o filho, mas mesmo assim, a sua ausência é notada em diversas partes, fazendo com que Eva tome decisões precipitadas. 

Kevin, de forma recíproca, corresponde à mãe com mínimos afetos, e com o passar do tempo, sempre há complicações entre eles. Essa posição que Kevin também vive pode ser supostamente evidenciada por Eva não ter tido, primeiramente, o concebido com o amor maternal adequado, e até mesmo pelo fato de a gravidez não ter sido uma grande realização em sua vida. Ao brincar, ao conversar, e ao buscar a se aproximar dele, Kevin não corresponde as tentativas da mãe, de se enquadrar em seu desenvolvimento.

Outra parte de destaque do filme, é quando Kevin suja de tinta os recortes de mapas pregados na parede de um quarto da casa, um espaço muito importante para Eva, e quando ela se depara com o que aconteceu, ela perde o controle, deixando explícito para o filho todo o ódio e raiva que ela sentia naquele momento por ele ter feito aquilo. Podemos assemelhar, as várias vezes em que Kevin quer ser o centro das atenções, e sempre de formas polêmicas e perturbadoras.

Sobre a questão da sexualidade, Eva em sua explicação a Kevin de como os bebês nascem, antes da chegada de sua irmã, a nova membra da família, ela se adapta as teorias do nascimento, como explica Freud (1905), um dos argumentos mais utilizados quando gera essa curiosidade nas crianças. Mas para a surpresa, Kevin, já sabia da realidade, e de forma sarcástica responde a mãe diretamente, se referindo a transa e a penetração do penes na vagina, o que vale ressaltar, que já viram os pais transar.

Na fase anal, de acordo com Freud (1905), “em que a crianças suscetíveis à excitação erógena se traem retendo as fezes até que seu acúmulo provoca violentas contrações musculares e ao passarem pelo ânus, são capazes de produzir grande excitação da membrana mucosa”, Kevin, após ser trocado pela mãe, suja a fralda novamente, levado pela sensação do prazer e controle dos esfíncteres, logo em seguida, entendido como provocação Eva. Ela então, descontente com a atitude do filho, o pega de forma brusca, o que faz com que ele machuque o braço.

Eva tinha uma vida feliz, ao lado do marido, as consequências começaram depois da gravidez, onde ela sentiu a sua vida ameaçada pelas consequências de ser mãe, e com isso iria embora também grande parte de sua liberdade. A depressão pós-parto é uma realidade na vida de mulheres que não conseguem administrar a maternidade de forma positiva.

O momento de maior tensão do filme é caracterizado pelos assassinatos de vários alunos do colégio onde Kevin estudava, da qual, a grande surpresa, ele foi o autor da própria fatalidade, e também responsável por assassinar o pai e a irmã. A partir desse momento, a vida de Eva vai ao último grau de sofrimento, dor e angústia, pois além da perda do marido e da outra filha, terá que enfrentar os julgamentos da sociedade que a culpa e a persegue a todo momento.

A ação de um psicólogo e um psiquiatra seria fundamental para acompanhar o desenvolvimento de Kevin e instruir os pais a como lidar com as diversas situações constrangedoras. Estranhos comportamento na infância, segundo Hidalgos e Palácios (1995), tendem a se comprometer na vida adulta. Muitos comportamentos de Kevin são ignorados pelos pais, sendo compreendido por eles como algo de fase da idade ou como algo normal. As crianças respondem de acordo com as emoções e reações, e há a grande importância de se observar todas elas.

Kevin demonstra insatisfação com a vida durante todo o filme, além de ter muitas condutas violentas e agressivas. Uma parte que chama a atenção no filme, é bem no final, de que ele frisa para a mãe na cadeia, de que nunca foi feliz. O seu modo de agir, o jeito frio e arrogante caracteriza Kevin como um ser patológico, que não teve o devido afeto e atenção dos pais pelos seus comportamentos, podendo talvez ter evitado tamanha tragédia.

Aí fica a pergunta: Você se sentiria responsável se seu filho apresentasse sinais de psicopatia?


Texto por: Túlio Morais de Oliveira.

Conheça seu maior medo a partir de imagens que você escolhe.


Vamos descobrir o que as imagens que você escolhe dizem sobre os verdadeiros medos de sua vida! É incrivel!

O medo é aquela sensação que te faz querer correr, tremer, ficar imóvel ou gritar. Tem gente que teme a morte, a violência ou até uma simples barata. No caso da cantora Ludmilla, seu medo é “cair de moto e se ralar” (rs).

Os medos mais comuns das pessoas são de fantasmas, palhaços e de ver a fatura do cartão de crédito. Segundo o herói da Marvel, o Demolidor, “um homem sem medo, é um homem sem esperança” uma frase profundamente idiota, porém verdadeira..

O site "Fãs da Psicanálise" realizou um teste. Nesse teste, aparece uma série de seis imagens aleatórias e você tem que, por exemplo, escolher qual delas faz você temer mais. Ao final, como se fosse bruxaria, o programa calcula qual é seu maior medo.

Eu fiz e deu certo, o jogo não apenas acertou em cheio como revelou qual meu verdadeiro medo, que até então eu negava que existia. Mas após ver o resultado, eu pensei: “Uau, essa é a única coisa que eu tenho medo de verdade”.

Curioso pra saber qual seu maior medo? Então faça o teste, acesse o link:
http://www.fasdapsicanalise.com.br/nos-conhecemos-seu-maior-medo-com-base-nas-imagens-que-voce-escolhe/#ixzz41F8UKF00

"Filhos únicos são mais problemáticos." Verdade ou mito?

Um dos grandes culpados pelos rótulos - mimados, egoístas, antissociais, mandões, dependentes - que os filhos únicos recebem é o psicólogo G. Stanley Hall, conhecido como o fundador da psicologia infantil. Com base em estudos conduzidos no final do século 19, ele chegou a afirmar que o "filho único era uma doença em si mesmo". Mas pesquisas mais atuais contrariam a ideia postulada por Hall e deixam claro que filhos únicos conseguem se desenvolver tão bem quanto quem tem irmãos. "Esses estereótipos sociais não têm bases na realidade. É o estilo dos pais, mais que o número de irmãos, que influencia como um filho único - ou qualquer criança - se desenvolve", sustenta Susan Newman, psicóloga social e autora do livro The Case for the Only Child. Ainda há os pesquisadores que reforçam a contribuição fundamental dos amigos no desabrochar da personalidade de cada um.

Hall criou o primeiro laboratório americano de psicologia e foi respeitado em sua época. Mas, para alguns psicólogos, seu estudo de 1876, Of Peculiar and Exceptional Children, em que ele conclui que todos os filhos únicos são estranhos, ajudou a propagar uma ideia falsa. Segundo Newman, essa crença de que irmãos são fundamentais para um desenvolvimento saudável faz com que mesmo pais que se sentem realizados com um só filho se sintam pressionados socialmente a ter outra criança - porque o velho conselho reza que ganhar um irmão fará muito bem ao primogênito". Para ela, a relação causa-consequência aqui pode ser invertida: o reforço da ideia de que filhos únicos são problemáticos é que pode levar a mudanças no comportamento da criança.

A propagação do mito de Hall se deve ao fato de ele ter sido tão pouco questionado pelo mundo acadêmico, ainda que seu experimento tenha usado uma amostragem tão pouco controlada. O que ele fez: enviou questionários a professores, para que eles descrevessem crianças "peculiares e excepcionais" que estudassem em suas classes ou que tivessem conhecido ao longo de sua vida. A maioria dos 1 045 questionários analisados veio de uma mesma escola, e também entraram no grupo alguns filhos de conhecidos de Hall. Com base em relatos do tipo "ele revirou os olhos, de modo a mostrar apenas os brancos" ou "aos 6 anos, ela tem medo de sapos", o pesquisador concluiu que filhos únicos da amostra tinham mais propensão a ser "peculiares e excepcionais".

Essas conclusões só começaram a ser realmente revistas pela ciência a partir da década de 1970. Foi quando Toni Falbo e Denise Polit, da Universidade do Texas, se empenharam na revisão de 115 estudos que de algum modo envolviam filhos únicos para concluir que eles não eram mensuravelmente diferentes daqueles com irmãos - a não ser por apresentarem melhor desempenho escolar e mais autoestima. Por quê? Aparentemente, por receberem mais incentivo dos pais e porque não precisam competir por atenção com irmãos. Como convivem mais tempo com adultos, foi observado que também costumam ter melhor vocabulário que a média das crianças. Uma das pesquisas, da Universidade de Warwick, Reino Unido, que entrevistou jovens de 40 mil famílias, chegou até a inferir que eles podem virar adolescentes mais satisfeitos, dado o cuidado e o investimento dos pais. Seus resultados foram que, quanto mais filhos na casa, mais reclamações os adolescentes tinham. Além disso, diziam sofrer mais com o bullying dos irmãos do que com o dos colegas de escola. 

O estudo "Personality and Social Skill Differences Between Adults With and Without Siblings", publicado no The Journal of Psychology, mediu, com questionários, a habilidade de pessoas com e sem irmãos em expressar seus sentimentos, interpretar comunicação verbal e não-verbal e controlar suas emoções. De novo, diferenças pouco significativas. Dados mais recentes, de 2010, sobre socialização de filhos únicos também vão nessa linha. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores Donna Bobbit-Zeher e Douglas Downey, do Departamento de Sociologia da Universidade de Ohio, usaram os dados de 13 mil alunos coletados pelo Estudo Nacional da Saúde do Adolescente, com jovens dos anos equivalentes aos ensinos fundamental e médio no Brasil. O método foi pedir a cada participante que, a partir da lista de nomes de quem estudava em sua escola, apontasse 5 amigos e 5 amigas. Na média, cada aluno foi nomeado por 5 colegas. Não houve diferenças significativas entre aqueles que tinham irmãos e os que não tinham.

Moral da história: hoje, para a psicologia do desenvolvimento, a dicotomia crianças com versus crianças sem irmãos ficou datada. Pela simples falta de indícios de que essa condição, por si só, gere personalidades mais ou menos problemáticas. Quanto à ladainha daquele parente mais velho, que diz que filhos únicos são uns coitados porque não têm com quem brincar, Suzan Newman responde, em um artigo escrito para a Psychology Today em 2011: "Tecnologias permitem aos filhos únicos estar mais conectados a outras crianças do que nunca, e essa conexão dá a eles uma vida social que se estende além das horas da escola e das atividades que eles dividem com os amigos", diz. Quem já é pai ou mãe de um só e decidiu fechar a fábrica depois da estreia, pode ficar descansado. O mais difícil de criar um filho único vai ser ignorar os comentários da família.

Você deve amar todos os seus filhos igualmente.

Ok, até aqui você pode estar pensando que esta matéria foi escrita por uma filha única (sim, verdade). Para provar a nossa imparcialidade, vamos falar também das famílias grandes. Para quem tem o sonho de ter um time de futebol em casa, a marcação cerrada dos conselheiros-que-tudo-sabem não é menor. Ótimo, você já teve pelo menos dois, já fez sua parte para que a população mundial não diminua, agora o importante é ter em mente que "pais não podem ter um filho preferido" e que é crucial que "irmãos sejam tratados do mesmo jeito".

Tudo indica que isso seja pura hipocrisia. Pais têm, sim, um filho preferido. Catherine Conger, professora de desenvolvimento humano e estudos de família da Universidade da Califórnia em Davis, visitou durante 3 anos 384 famílias que tinham dois filhos - totalizando 9 visitas por família, em que ela não só entrevistava os membros, mas observava e gravava em vídeo momentos de convívio, como a hora do jantar. Os resultados: 65% das mães e 70% dos pais demonstraram preferência por um dos filhos, em geral, o mais velho. Psicólogos evolucionistas acreditam que essa preferência esteja associada ao investimento feito no primeiro filho. Uma vez que este já representa o sucesso da descendência das famílias, não seria preciso se preocupar tanto com os que chegam depois - certas espécies de pinguins, por exemplo, preterem um de seus ovos quando o outro já vingou.

Embora os cientistas acreditem que, para a maioria dos pais, há um preferido, nem todos concordam com os resultados alcançados por Conger. Outro estudo, de Catherine Salmon, da Universidade de Redlands, nos EUA, acompanhou famílias ao longo de dois anos e concluiu que mães tendem a tratar melhor os garotos primogênitos enquanto os pais elegem as filhas caçulas.

Algum problema nisso? A psicóloga americana Ellen Libben e autora do livro The Favorite Child, que reúne pesquisas sobre o assunto, diz que "o favoritismo é normal e ocorre em toda família - tradicional ou não tradicional, com muitas ou poucas crianças". O que não significa que se deva dizer :"filho, amo mais o seu irmão". O importante seria não ignorar que há relações únicas com cada um. Além de manter as mesmas regras para todos os filhos e ter consciência de que eles sabem o que está rolando na cabeça dos pais: "As crianças apreciam a singularidade das diferentes relações na família, entendendo que não há dois vínculos iguais. Elas facilmente aceitam que o pai e o filho esportistas têm uma ligação única", por exemplo. Em geral, os pais podem preferir um filho a outro por questões de afinidade ou porque encontram neles características que admiram, mas não têm. Também acontece de o favorito mudar ao longo da vida - um caçula que atrai muita atenção assim que nasce pode não parecer tão adorável depois de alguns anos. "As crianças são menos propensas a ser marcadas pela dinâmica do favoritismo quando podem expressar livremente suas reações sem que os pais ouçam e fiquem na defensiva", completa Ellen.

  

Filhos únicos têm amigos imaginários e isso é sinal de problema?

Professora de psicologia da Universidade do Oregon e autora do livro Imaginary Companions and the Children Who Create Them, Marjorie Taylor afirma que 65% das crianças têm amigos imaginários até os 7 anos, independentemente do número de irmãos com que convivem. Marjorie diz também que "a presença de amigos imaginários na vida de filhos únicos ou primogênitos não é necessariamente um sinal de solidão ou de estresse psicológico". A conclusão é apoiada por um pesquisador de psicologia da Universidade de Yale, Jerome Singer. Nos testes que aplicou, ele descobriu que crianças com amigos imaginários se mostraram mais criativas, têm melhor vocabulário e não ficam facilmente entediadas - afinal, sabem se divertir sozinhas quando ninguém está dando bola pra elas. Também não importou o número de irmãos e se havia mais meninos ou meninas na família.

Conclusão: Quantos pais felizes com seus bebês únicos não são pressionados a ter mais um filho "para o próprio bem do primogênito"? Bobagem. Para a psicologia atual, ter irmãos não é fundamental para o desenvolvimento das crianças.

Fonte: Super Interessante. 

A torrada queimada.



Quando este homem percebe o erro da esposa, todos ficam mudos. Sua reação é fantástica.
Publicado por Não Acredito em Segunda, 8 de fevereiro de 2016